segunda-feira, 9 de novembro de 2009

madrigal quase infantil

Paul Cézanne, Uma Olímpia Moderna (1872-73). Óleo sobre tela, 46x55 cm. clique na imagem pra seguir na meninice...

Em 1874, um grupo de pintores impressionistas reuniu-se em Paris, para realizar sua primeira exposição. Estavam presentes Pissarro, Sisley, Renoir, Degas, Monet, Monsot e vários outros menos conhecidos. Manet não quis participar, talvez acreditando que ainda pudesse receber o reconhecimetno oficial.

O principal objetivo da exposição, que foi organizada na Galeria Nadar, no Bulevar dos Capuchinhos, era se opor às imposições do Salão da Escola de Belas-Artes. Era uam manifestação de revolta contra as estruturas artísticas tradicionais. O grupo pretendia afirmar os valores de uma nova visão de arte, que traduzia as impressões súbitas e efêmeras do dinâmico homem moderno.

Monet expôs o famoso quadro cujo título deu nome ao movimento: Impressão, Sol nascente. Cézanne, que estava sempre em contato com Pissarro, resolveu participar exibindo "A casa do Enforcado" e a tela acima "Uma Olímpia Moderna", que foi inspirada numa das obras-primas de Manet.

Esse quadro guarda ainda uma forma romântica, mas a visão impressionista se revela através do jogo de cores luminosas e vibrantes. A obra traduz uma certa intenção irônica, não para com Manet, em quem Cézanne se inspirou, mas para com o próprio romantismo, que limitou seus passos durante anos. O homemrepresentado em frente a Olímpia é, provavelmente, o próprio autor.

Público e crítica receberam a exposição com protestos e desprezo. Não podiam entender aquela concepção inovadora, em que as superfícies de cor era decompostas em manchas e pontos, as sombras eram iluminadas; as pinceladas soltas e o desenho rápido conferiam às obras um aspecto descuidado.

Por volta de 1878, o artista revela uma nova tendência que o afasta definitivamente do impressionismo e seus aspectos efêmeros:

"Tudo o que vemos certamente desaparece? A natureza é sempre a mesma, mas nada dela permanece, até onde se pode ver. Nossa arte precisa dar um sentido de sua duração, precisa fazer-nos sentir que ela é eterna. O que permanece sob o fenômeno natural? Talvez nada; talvez tudo. Por isso, minhas mãos realizam sua tarefa, tomando de todos os lados, aqui e ali, em todo lugar, suas cores, seus tons; eu os componho, coloco-os lado a lado, e eles formam linhas, tornam-se objetos, pedras, árvores, sem que eu me conscientize disso. Eles assumem volume. Minha tela... não vacila, é verdadeira, compacta, completa."


em causa de te sonhar a noite
toda, tenho medo de tua poesia:

meu corpo nu, profundo e caudaloso
a desaguar em tuas desesperanças.

12 se ellenizaram:

Moacy Cirne disse...

MeNina:

O que mais admirar?
O texto (muito bem elaborado) sobre o impressionismo?
Ou o poema (sensível e revelador) sobre a interioridade do corpo nu que se faz caudaloso
em suas noturnas desesperanças?
No pimeiro caso, acuidade crítica;
no segundo caso, neblinamento amoroso.
Nos dois casos, a emoção da escrita.

Um beijo. Um cheiro.

Antônio Zumpano disse...

Rizzi, Rizzi, que vídeo é esse?

Da grotesca e perdedora República de Weimar?

Tautou é uma atriz secundária com nome de Hollywood (Audrey) e Jeunet é um diretor que, apesar de dois filmes bons - Amélie e Ladrão de Sonhos - se vendeu para dirigir Alien - a Ressurreição. Vc já imaginou Bergman dirigindo um filme desses? Muito vergonhoso, igual Spielberg dirigindo Parque dos Dinossauros, o que a história irá falar dele!! Nada, será condenado por ela como o foi Carlos Lacerda.

Gostei muito do texto sobre o impressionismo. Viu a ironia sobre o ridículo romantismo?

Será que em braille pode-se te ler? Corpo-poesia?

Não há poesia sem verbo Rizzi. Poesia não é um substantivo concreto, é um substantivo abstrato, só subsiste senão na linguagem verbal. Claro que há outras linguagens, outros signos não verbais que certamente são também artísticos, cada um com sua estética. A junção de linguagens diferentes produz uma nova estética, uma outra manifestação, nova arte. Mas, poesia só existe na letra, oral ou escrita, verso, fala, discurso.

abraço
Zumpano

Fred Matos disse...

Sempre aprendo muito quando venho ellenizar-me, Nina.
Tudos ótimos

beijos

Maria Andrade Vieira disse...

como disse Fred acima, sempre aprendo quando venho me ellenizar. história, cantiga e vc e os frequentadores... tudo cresce. adoro este blog, de verdade, é completo. besos.

Henrique Pimenta disse...

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Hercília Fernandes disse...

Nina,

apreciei bastante o post: das considerações ao miúdo lunar. Também aprendo bastante com suas postagens, estética e intelectualmente falando.

Beijos :)
H.F.

Decio Bettencourt Mateus disse...

gostei de "em causa de te sonhar a noite" e "desaguar as tuas desesperanças". Maravailha poeta, maravilha (Me)nina.

Kandandu

Assis Freitas disse...

Ver-se-ia que ias num versejar tão profundo, imerso na imensidão da palavra.

Adrian Dorado disse...

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nina rizzi disse...

mas, zumpano, o habitat do amor são as pessoas e não os lugares...

Adriana Godoy disse...

então, nina, que arte a sua e a de Monet. Heim? beijo.

Adriana Karnal disse...

Nina, vc só melhora com a pintura...